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26.9.03

A Geração Guernica 

Artigo de Paulo Madeira no Público.
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«Cerca de 35 mil meninos espanhóis foram enviados pelas suas famílias para o estrangeiro entre 1937 e 1938, durante a Guerra Civil no país vizinho. Partiram das zonas controladas pelas forças republicanas, sobretudo do País Basco (cujo Governo de então organizou a evacuação, a pedido de muitas famílias), e o seu destino ficou enredado nas malhas da geopolítica do século XX. Muitos nunca regressaram.

É sobre o destino dessas crianças que o Discovery Channel, em parceria com a televisão pública basca, Euskal Telebista, decidiu produzir um documentário, intitulado «A Geração Guernica» (...).

A decisão de muitas famílias espanholas de enviar as suas crianças para longe pode hoje ser motivo de perplexidade, mas para a avaliar é preciso lembrar um aspecto único no contexto da guerra civil de Espanha: as zonas sob controlo dos republicanos foram, pela primeira vez na história da humanidade, alvo de bombardeamentos maciços sobre populações civis, conduzidos pela Força Aérea alemã, que foi ajudar Franco a derrubar o regime da então República Espanhola. Foi com esta nova dimensão do horror, retratada por Picasso no seu famoso quadro «Guernica», que as populações espanholas tomaram contacto. E assim milhares de crianças viram-se em França, na Bélgica, na Grã-Bretanha, na então União Soviética e no México.

«É importante perceber o impacto dos bombardeamentos. Hoje estamos mais ou menos acostumados a ouvir falar de bombardeamentos e sabemos que acontecem. Nesta época não. Além disso, continuaram, quase diariamente, gerando uma pressão psicológica enorme. Por outro lado, é preciso perceber outro aspecto: pensava-se que seria uma situação limitada no tempo. Supunha-se que ia durar alguns meses. Nunca tantos anos», afirmou o assessor histórico do documentário, Jesús Carballés, durante a sessão de apresentação à comunicação social, na semana passada em Bilbau.

A ideia original foi do realizador, Steve Bowles, um inglês cujos pais participaram no auxílio às crianças espanholas refugiadas. «Na casa onde cresci havia uma imagem de 'Guernica', o quadro de Picasso», conta. «Há muitos anos que tenho interesse por este tema. Recentemente fui viver para Southampton [onde chegaram muitos refugiados espanhóis] e encontrei arquivos fabulosos. E então decidi avançar com este projecto.»

Impedidos de regressar

«A Geração Guernica» centra-se sobretudo nas crianças que foram para a União Soviética e para o México, as que ficaram mais presas ao seu novo destino, donde a grande maioria nunca voltou a Espanha. As que partiram para a Grã-Bretanha, França e Bélgica não puderam voltar facilmente logo que acabou a guerra civil em Espanha, pois entretanto começara a II Guerra Mundial. Mas ao fim de mais uns anos tiveram oportunidade de regressar. Nos outros casos não. A Espanha de Franco não tinha qualquer tipo de relação diplomática com a União Soviética, pelo que os jovens espanhóis não podiam regressar. No caso do México, a distância tornava difícil arriscar uma viagem em que não se sabia o que se iria encontrar. E as notícias que iam chegando davam conta de uma situação muito difícil, com grandes privações e a vingança das forças de Franco sobre os vencidos, situação em que se encontravam as famílias destas crianças.

Há também quem tenha uma memória positiva da experiência de exílio. Jesus Urbino, de Portugalete (uma pequena cidade a noroeste de Bilbau), recorda que quando o seu pai lhe disse que ia para Inglaterra encarou a ideia como uma aventura. Tinha nove anos, e partiu com uma irmã. Tem boas recordações dos britânicos. Voltou a Espanha em 1940. «Aqui tive a maior decepção do mundo, porque eu tinha vivido muito bem em Inglaterra. E sofre-se.» Quando chegou a Espanha, passou «muita fome, miséria, sofrimento, doenças».

Se hoje em dia acontecesse algo assim, «eu também mandaria os meus filhos. Não ia expor os meus filhos a uma guerra daquelas, de traidores. Que era mais do que traição. Porque nós não tínhamos nada a ver com política. Eram invejas entre vizinhos, que se denunciavam uns aos outros. Bombas todos os dias. Já não havia nada de comer. Era uma miséria», diz outra das ex-refugiadas na Grã-Bretanha, Begoña Ballesteros.

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Fonte: Jornal Público, 21.Set.03

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