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26.9.03

A Geração Guernica - Entrevista 

«Foi uma coisa terrível»
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Entrevista com Begoña Ballesteros

Vive hoje, aos 78 anos, com o marido em Sestao, uma pequena cidade a noroeste de Bilbau. Aos 12 anos, foi enviada para Inglaterra e a memória desse exílio leva-a a dizer que «não há guerras legais, todas as guerras são inumanas». Por Paulo Miguel Madeira.

Dos quatro anos de exílio, recorda-se de ter sido bem tratada. O regresso, tal como a partida, foi difícil.

Como sentiu a sua partida para Inglaterra quando era criança?

BEGOÑA BALLESTEROS - De uma maneira muito triste, muito triste e muito horrível. Por deixar assim os pais em plena guerra, ir para um sítio estrangeiro onde não conhecia a língua, nem ninguém, nem nada. Foi uma coisa terrível.

A viagem foi difícil?

Parti a 20 de Maio de 1937. Levávamos uns cartões presos aos casacos. Cada um tinha o seu número. Entrámos no barco com esse cartão. Quando o barco começou a andar caímos todos redondos, enjoados. Vimos o barco de Franco que nos seguiu, mas havia dois barcos de guerra ingleses a escoltar-nos. Desembarcámos em Southampton.

Em que sítios esteve?

Em Southampton, fomos para um acampamento. Estivemos aí cerca de um mês. Fomos vacinados, contra o tifo e aquilo que era normal naquela altura. Depois vieram buscar-nos. Fomos 60 meninos para perto de Liverpool. Levaram-nos para um casarão muito grande, que devia ser um antigo palácio. E ali ficámos. Trataram-nos muito bem. Estive quatro anos em Inglaterra. Depois daquela colónia em Liverpool, levaram-nos para a Escócia.

E o regresso a Espanha?

Alguns começaram a voltar seis meses depois de termos partido. Os primeiros foram chamados por Franco. Muitos não sabíamos onde estavam os pais, nem sabíamos nada. Era Franco que queria que viéssemos, e nós não queríamos vir. Porque, aqui, para onde vínhamos?

A certa altura disseram-me que a minha mãe, que entretanto se refugiara em França ainda durante a guerra em Espanha, me chamava. Mas estávamos em plena Segunda Guerra Mundial. Em Inglaterra havia «blackout». Levaram-me da Escócia para Londres, penso que em Abril de 1941. Estivemos um mês nos arredores de Londres, de onde fomos para França. Em França não se podia viver. Os alemães entravam por todo o lado.

E a sua mãe?

Estive numa colónia de meninos espanhóis, à espera da minha mãe. Mas a minha mãe não podia ir, porque os alemães não a deixavam passar. Depois três senhores, dois ingleses e um espanhol, disseram-nos que tínhamos de partir, num camião que eles levavam. Mas sem levar nada, só a roupa do corpo.

Fizemos o caminho até à fronteira de Espanha, mas por Pau e Figueras [a fronteira na Catalunha]. Atravessámos a França toda, com os alemães atrás... passavam nas motocicletas.

Gostou de voltar?

Era um desastre como estava a Espanha, era um desastre. Havia fome, miséria. A partir da fronteira puseram-nos numa camioneta de transporte de carne. Deixaram-nos em Montjuic, em Barcelona.

Foram bem tratados?

Queriam pôr-nos numa casa para os indigentes. Mas nós não quisemos. Estava também connosco um menino de três anos. Fomos dormir para um quartinho onde se guardavam malas, todo com bancos de madeira. Metemo-nos ali. Uns soldados espanhóis davam-nos cobertores, comida, dinheiro para comprar fruta, toalhas. Ao fim de 17 dias, disseram-nos: «Venham para Bilbau.» Nem o meu pai nem a minha mãe estavam em Bilbau. Alguns, não tinham ninguém. Eu e a minha irmã ficámos com uns tios. Passámos um muito mau bocado.

Acabou por encontrar os seus pais?

O meu pai estava preso nas Astúrias. Saiu da prisão ao fim de, pelo menos, um ano, e pouco depois a minha mãe voltou de França. A família reuniu-se, voltámos à nossa casa.

O que lhe ocorre dizer sobre tudo isto?

Agora ouve-se falar de muitas guerras. As mulheres e as crianças são as principais vítimas. Não se deve fazer guerras seja pelo que for. Não há guerras legais. Todas as guerras são inumanas. E uma guerra é a última coisa que uma nação deve fazer... a última coisa.

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Fonte: Jornal Público, 21.Set.03

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